Apresentação

Opiniões e homenagens

Por Rejane Machado
(crítica de arte, escritora e professora)
WANDA - UMA DOADORA DA BELEZA

 Por Guery Sá
(poeta e primo da artista) - ACRÓSTICO

 Por Guery Sá
(poeta e primo da artista) - A FRAGATA

 Por Guery Sá
(poeta e primo da artista)
O SONO DA PRETA EMBALADA PELO TREM


 
 


Carmelita
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   

 

 

 

  











 

O SONO DA PRETA EMBALADA PELO TREM
 

Vai preta, embalada pelo trem, vai em busca de um destino, de um emocionante e notável além.
A sua boca, jogada ao balanço do trem, motivou minha criação, que farei se não tiver tempo de retratar esse alguém?!
Nas suas mãos enrejecidas, jogadas contra o céu, eu vi refletida, a súplica de um anjo, um anjo mel.
Das vestimentas, do sonho de um anjo céu, eu senti a necessidade de retratar, de esculturar, suas súplicas, seu fel.
Agora da posse da sua sublime inocência, retrato-a, para esculturá-la, para torná-la quiçá, um ser imortal.
 

Baldando, suplicando dias, quero vê-la outra vez, além do esboço e da escultura, criada pelo meu ser emocional.
Ainda a verei baldeando trens em suaves dormidas, esquecendo que a vida é um sonho, muito, muito mais além.
Sim! Quero vê-la outra vez, sentir a realidade da sua necessidade de amar mais, mais do que um puro alguém.
Importa? Que importam as minhas conclusões, ela dormia um sono solto, suavemente angélica, quando a encontrei.
Largos horizontes porém eu quis ver, além daquele dia em que, num esboço, com ternura, simplesmente a retratei.
Inclusive eu premonizei, vou esculturá-la e torná-la célebre, com a argila nas minhas mãos, assim como ninguém.
Ontem, ganhei uma medalha de ouro, depois outra, e mais outra, pela sublimidade e ternura da preta embalada pelo trem...

 Guery Sá  (poeta e primo da artista)
 

          A FRAGATA
 

Mares distantes, ora serenos, ora revoltos, ela singrou, galhardamente venceu,        calmarias e tempestades
A experiência e vigor ganhou, na luta contra a força descomunal do mar imenso; em madrugadas e tardes
Raras vezes sentiu-se ameaçada, porque sabia muito bem, deslizar suavemente, sobre as ondas bravias
Impulsos de popa à proa ela vencia, com extremo cuidado montava as ondas, para evitar quaisquer avarias
Numa manhã serena aportou, na enseada da vida, e ali ficou, à espera da Artista que, em gracioso concílio
A retratou; dando-lhe mais beleza ainda. Hoje, imortalizada está, pelas mãos mágicas da pintora Wanda Basílio.

 Guery Sá(poeta e primo da artista)


 

ACRÓSTICO
 

Wagueia... depois lança-se, entre pincéis, argilas e canções,
Ao etéreo, em busca das imagens que brotam, nas sutis inspirações
Não fala, não discute, não comenta... Apodera-se sagaz, do veio artístico
Domina-o e expõe, em belíssimas obras, um sentimento gracioso e magnífico
Ah! Teu talento é a cura para as dores de todos os amantes corações...

 Guery Sá  (poeta e primo da artista)

WANDA - UMA DOADORA DE BELEZA
 

"Não as coisas, mas as impressões das coisas...". Sob esta disposição dos impressionistas, Wanda Basílio assume a conceituação de um novo espaço pictórico, onde reina a indefinição do detalhe, do objeto, das coisas pairando no ar, revelando-se novos mundos através dos seus estados d'alma.

Perfeitamente à vontade dentro desta fórmula, ela traduz em suas telas os efeitos fugidios da luz, da água, da cor, do céu, através de uma ótica particular e individual. Porque não copia mas reinterpreta uma realidade que só lhe chega através de sensações. Por não delimitar horizontes e linhas, sua pintura resulta em verdade uma obra "aberta" para a liberdade da luz plena, do ar livre, que os artistas do final do século procuravam. Talvez por isso suas marinhas tenham uma tal amplitude de espaço, onde nossa alma se perde, em busca do infinito apenas sugerindo, quando céu e mar se fundem e confundem num todo sem fronteiras: onde começa um? Onde acaba outro? Talvez por isso nas naturezas mortas as coisas pairam, apenas, no ar, sem linhas demarcatórias, trazendo um belo efeito de transcendência, de metafísica.

Como todos os impressionistas, Wanda ama a chuva. É preciso ver o quadro Chuva - que bem teria seu correspondente na arte dos sons em La plus que longue, de Debussy, ou no belíssimo Reverie, tal a melancolia por ele transmitida. A Dama Verde poderia também ser nomeada Pavana, de Gabriel Fauré... pura música! Cores que não agridem: a preferência pelos tons pastéis, os azuis, os verdes, as cores frias e a magníficas telas em sépia! - as figuras, apesar da imprecisão própria do estilo, estão perfeitamente integradas na paisagem; a transparência do todo, um algo mais que evoca a solidão de Rilke, e o misticismo de Verlaine - revelam um mundo ideal, sem marcas dramáticas, sem limites a impedir o pensamento, a imaginação...

Wanda Basílio tem já uma longa história - desde 1969 - de sucessos no campo da pintura e da escultura, neste com trabalhos significativos como o busto do falecido rei Faiçal, da Arábia Saudita, além de outros vários, em praças públicas do país, de políticos e personalidades ilustres. Sentindo-se `a vontade tanto no figurativismo como no abstracionismo, não foge, entretanto, ao referencial, com incursões freqüentes pelo academicismo, em virtude mesmo da natureza do seu ofício e da preferência dos seus clientes. Quadros seus estão em Ludvika (Suécia), Valadolid, Trinidad, Lima, além de Estados unidos, Japão e África. Tem em seu currículo cerca de uma centena de láureas, seja em medalhas de ouro, prata e bronze, seja como prêmios; reconhecimento justo à sua capacidade. Pertence a diversas entidades de artistas plásticos brasileiros inclusive está catalogada no Museu Nacional de Belas Artes.

... eis Wanda Basílio, em breves pinceladas, nas quais procuramos mostrar sua afirmação, seu estar no mundo, sua contribuição para um mundo melhor e mais belo. 


Rejane Machado
(crítica de arte, escritora e professora)
 


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